Rayssa Leal nas olimpíadas de Tóquio
Divulgação / Patrick Smith

Muito mais do que competir e escrever seu nome na história do esporte, em Tóquio, Rayssa Leal, de apenas 13 anos, encantou e emocionou. A “Fadinha” foi medalhista de prata, no skate street, nesta segunda-feira (26).

Enquanto toda a arquibancada se calava no Complexo Ariake, Rayssa Leal simplesmente dançava e se divertia. Ao lado da amiga Margielyn Didal, das Filipinas, aproveitou cada segundo. Sempre com um sorriso no rosto, demonstrava tranquilidade e

leveza, mesmo antes da manobra que poderia definir seu futuro.

Ao ignorar qualquer pressão, a menina de Imperatriz, no Maranhão, fez história: conquistou a prata, garantindo a primeira medalha para o skate street feminino brasileiro nas Olimpíadas de Tóquio. No dia anterior Kelvin Hoefler também fez história ao garantir a prata no masculino.

Com a medalha de prata, Rayssa Leal se tornou a atleta mais jovem da história do Brasil a subir no pódio em Olimpíadas. Aos 13 anos e 203 dias, superou o recorde de Rosângela Santos, bronze em Pequim 2008 com 17 anos, no 4x100m do atletismo.

Você pensa que acabou por aí? Não mesmo. A Fadinha é, também, a mais jovem brasileira a participar dos Jogos. A marca anterior era de Talita Rodrigues, nadadora que foi finalista no 4x100m livre em 1948, nos Jogos de Londres. Na época, tinha 13 anos e 347 dias.

“Eu estou muito feliz, porque pude representar todas as meninas, a Pamela e a Leticia, que não se classificaram, todas as meninas do skate e do Brasil. Poder realizar meu sonho de estar aqui e ganhar uma medalha é muito gratificante. Meu sonho e sonho dos meus pais.”

-Rayssa Leal

O ouro ficou com a japonesa Momiji Nishiya, também de 13 anos, cinco meses mais velha que Rayssa. A skatista somou 15,26 na final, à frente dos 14,64 da brasileira. A também japonesa Funa Nakayama completou a dobradinha da casa no pódio, com 14,49. As brasileiras Pâmela Rosa e Letícia Bufoni também participaram dos jogos, mas não conseguiram se classificar para a final.

Rayssa Leal – o caminho até o pódio

Rayssa Leal Olimpíadas de Tóquio
Divulgação / Ezra Shaw

Rayssa começou a final com uma volta quase sem erros: emplacou crooked, backside smith, boardslide backside, frontside feeble. Só errou na última manobra, a mais difícil da sua série. Recebeu um 2,94, a terceira maior nota de início, atrás da holandesa Roos Zwetsloot e da japonesa Momiji Nishiya.

O nível subiu na segunda volta. A bicampeã mundial Aori Nishimura entrou em ação e conseguiu um 3,46. Zwetsloot a seguiu com uma volta perfeita de 3,80. Rayssa também não decepcionou e mostrou que estava ali para brigar pelo ouro, aplicando alguns boardslides, rockslides e flips. Mas, dois erros diminuíram sua nota para 3,13. Ainda assim, foi o suficiente para subir uma posição e alcançar a segunda posição.

Na parte das manobras, a americana Alexis Sablone abriu com um flip 50 e recebeu um 4,03, maior nota da final até o momento. Zwetsloot respondeu com um feeble grind, que lhe deu um 4,12. Já a Fadinha errou sua primeira tentativa, mas permanecia no pódio. A chinesa Wenhui Zeng saltou à segunda posição com um flip e slide que lhe rendeu um 4,93.

Na tentativa seguinte, Rayssa acertou um flip com um backslide no corrimão, mas como se apoiou com as mãos para não cair, sua nota ficou em 3,91. Mesmo assim, recuperou a vice-liderança. A japonesa Funa Nakayama veio em seguida com um frontside crooked slide e recebeu um 5,00, ultrapassando a Fadinha e a jogando para terceiro lugar.

Na sequência, Alexis Sablone voltou a aprontar com um flip boardslide e, com 5,01, foi para a liderança. Mas Rayssa respondeu com um frontside crooked que valeu 4,21, subindo para primeira posição.

As principais concorrentes de Rayssa erraram na quarta manobra. Mas, Rayssa Leal não errou. Ela foi precisa. Um slide no backside perfeito valeu 3,39 e jogou sua nota geral para 14,64. Mas aí, veio a japonesa Momiji Nishiya, que fez uma manobra ainda mais difícil e, com 4,66, somou 14,74, assumindo a liderança. Funa Nakayama acertou um frontside crooked de 4,20 e pegou a terceira posição, com 14,49.

A decisão ficou para a última manobra. Com os erros de Nishimura, Sablone e Zwetsloot, o pódio de Rayssa ficou garantido. Ela precisava de 3,24 para tomar a liderança, mas caiu na saída do slide. No fim, com um novo erro de Nishimura, a brasileira fez a festa ao garantir a prata.

O maior prêmio do dia foi poder desfrutar da alegria da Rayssa Leal. Com medalha de ouro ou não, a Fadinha é uma verdadeira campeã.

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